Africanidades e Baianidades!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Práticas religiosas na Costa da Mina


O sítio Costa da Mina (www.costadamina.ufba.br) disponibiliza uma seleção de fontes européias, em língua original e em tradução para o português, referente às práticas religiosas desenvolvidas na Costa da Mina (África ocidental), entre 1600 e 1730. Fruto de pesquisa desenvolvida no Centro de Estudos Afro-Orientais CEAO) da Universidade Federal da Bahia, o projeto pretende contribuir para a democratização de documentos de difícil acesso e estimular a pesquisa obre a história da África, no Brasil e alhures. Por favor, visitem e divulguem o link.

CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais
Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho
CEP 40025-010. Salvador - Bahia - Brasil
Tel (0xx71) 3322-6742 / Fax (0xx71) 3322-8070
e-mail: ceao@ufba.br - Site: www.ceao.ufba.br
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sítio arqueológico Maropeng, na África do Sul.

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"Em língua setswana, Maropeng significa ‘retorno ao local de origem’. Mas na África do Sul é também a principal porta de acesso a uma das atrações turísticas mais impactantes das savanas africanas: o 'Berço da Humanidade'."
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Veja a matéria completa:
viagem.uol
www.maropeng.co.za
www.africadosul.org.br
www.flysaa.com
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terça-feira, 28 de junho de 2011

A Enxada e a Lança (Vídeo)

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"Alberto da Costa e Silva falou sobre o relançamento do livro “A enxada e a lança: a África antes dos portugueses”, resultado de um trabalho de dez anos. Ele disse que começou a se interessar pela África muito antes de se tornar diplomata.
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Aos 16 anos, já lia “Casa grande & Senzala”. Segundo ele, até o final do século 19 e início do século 20, a África era um território praticamente desconhecido por nós, ocidentais, mas o “homo sapiens” surgiu na África.
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Alberto comentou sobre alguns povos africanos, como os iorubás e os zulus – esses não constituíam uma nação, mas sim uma organização militar baseada no saque. Ele também elogiou a capacidade feminina. Segundo ele, as mulheres, em qualquer civilização, realizam o grosso do trabalho. Aos homens cabe apenas “desenvolver esportes olímpicos”.
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Quanto à visão que eles tinham do homem branco, Alberto disse que a cor branca da pele era relacionada à morte. Além disso, pensavam que os brancos usavam sapatos porque não teriam os dedos dos pés e que cobriam o corpo porque sofreriam de doenças de pele. Mas, o principal motivo de repulsa era o fedor.
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Os viajantes chegavam a ficar mais de um mês com a mesma roupa (de veludo). Alberto também esclareceu um equívoco comum relacionado à ideia de que todo africano venera orixás. Segundo Alberto, com exceção dos iorubás, “ninguém na África sabe o que é isso”."

http://programadojo.globo.com/platb/programa/2011/06/24/alberto-da-costa-e-silva-fala-sobre-relancamento-de-livro/
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domingo, 12 de junho de 2011


 
O Guia dos Museus Brasileiros já está disponível para consulta e download. Elaborado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura), o guia traz dados como ano de criação, situação atual, endereço, horário de funcionamento, tipologia de acervo, acessibilidade, infraestrutura para recebimento de turistas estrangeiros e natureza administrativa de mais de 3 mil museus já mapeados pelo Ibram em território nacional.

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sábado, 28 de maio de 2011

O início da expansão portuguesa em África

- Dom Afonso IV, o Bravo -
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Afonso IV (1291-1357), o Bravo, sétimo rei de Portugal, teve o bom senso de acreditar e investir na construção da marinha mercante portuguesa possibilitando as primeiras viagens de exploração Atlântica. Por volta de 1336*, seus comandados alcançaram primeiramente as Ilhas Canárias - conhecidas pelos númidas (norte africanos), desde o reinado de Jubá II (60-46 a.c) - mas sua posse foi atribuída ao rei de Castela (Espanha) pelo papa Clemente VI. O que gerou alguns desafetos na época.
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Mais tarde, o infante D. Henrique (1394-1460), um apaixonado pela aventura de exploração, um entusiasmado representante do forte Estado Português, absolutista, financiado pela burguesia emergente e a Ordem de Cristo (ordem religiosa e militar criada pelo papa João XXII, herdeira da Ordem dos Templários), se tornou o principal responsável pelo pioneirismo português na expansão marítimo-comercial.
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- modelo de Caravela usada no início dos descobrimentos –
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E vieram as conquistas. O arquipélago da Madeira composto pelas ilhas da Madeira e Porto Santo, redescoberto pelos portugueses em 1418 e o arquipélago de Açores, em 1431 (é provável que a descoberta das primeiras ilhas tenha ocorrido por volta de 1340, ao tempo de Afonso IV), composto por outras nove ilhas, marcam o ponto de partida na reconstituição da memória da expansão ultramarina portuguesa no século XV. Logo estas ilhas desabitadas foram colonizadas pelos portugueses e atualmente estão designadas como território autônomo da República Portuguesa e integram a União Europeia.
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Na sequencia, alcançaram o Cabo Bojador ultrapassado em 1434, com seus assobramentos também (acreditava-se que, talvez, o fim do mundo se desse por aquelas alturas); O Cabo Branco em 1441; a Baía de Arguim em 1443; o Rio Senegal e a penísula do Cabo Verde em 1444, hoje cidade de Dakar. Em fim, chegaram à região do Sahel, limites sul do quase “intransponível” deserto do Saara. A África meridional agora estava servida para o banquete dos horrores da colonização.
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 - mapa-mundi de 1459 –
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Uma curiosidade wikipedia: um mapa-mundi de 1459, por Fra Mauro, monge veneziano, que revela o mundo conhecido na época (note que não consta a América).
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Em seguida alcançaram a Guiné-Bissau (1446), em território continental africano (uma pequena extensão ocidental do grande Império do Mali), e mais algumas dezenas de pequenas ilhas que hoje compõem Arquipélago dos Bijagós. Quase que simultaneamente - agora em mar aberto - um novo arquipélago composto por outras dez Ilhas, estas desabitadas, foi descoberto, Cabo Verde (1458-60). Este último se tornou um importante entreposto comercial de escravos e foi colônia de Portugal até sua independência nos recentes anos de 1975.
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 - atual Macaronésia –
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Essas ilhas a oeste do estreito de Gilbratar, já eram conhecidas dos antigos gregos que a denominaram de Macaronésia ("makáron" = feliz, afortunado; e "nesoi" = ilhas) sugerindo "ilhas abençoadas" ou "ilhas Afortunadas”. Não para os negros que penaram ali.
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Avançando mar abaixo, pelo grande atlântico, chegaremos a outros três países de África que foram colônias portuguesas e têm o português como língua oficial: São Tomé e Príncipe (1470-71), Angola (1482) e Moçambique (1492). Apenas as ilhas de São Tomé e Príncipe estavam desabitadas.
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Segundo Maria Aparecida Santili (2003), e de acordo com informações obtidas nas Actas do Congresso sobre a Situação actual da Língua Portuguesa no Mundo - 1985, e no Atlas da língua Portuguesa na história e no mundo, podemos apreciar as seguintes conclusões:
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Na Guiné-Bissau, independente em setembro 1974, hoje, com seus 1,3 milhão de habitantes expremidos entre o Senegal e a Guiné-Conacri, dois países de colonização francesa, fala-se essencialmente o crioulo, apenas 10% da população fala o português, “que é usado na escrita, na administração pública e o no ensino”.
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Em Cabo Verde, após ter sido habitada, coesistiram o Português e o Crioulo (um português simplificado, misturado com as línguas dos negros trazidos às ilhas). Independente de Portugal desde julho de 1975, hoje, somam em torno de 435 mil caboverdianos. O Português é a língua oficial, mas o crioulo caboverdiano predomina.
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Em São Tomé e Principe, independente em julho 1975, apesar de ser a língua portuguesa a oficial, há dois tipos de crioulos prevalecendo entre os seus 175 mil habitantes. O Português contribuiu tornando a língua mais "enriquecida".
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Em Angola, independente desde novembro 1975, onde a população atual beira os 14 milhões de habitantes, cerca da metade fala o português como uma segunda língua. Nas grandes cidades prevalece o português, mas há cerca de 11 grupos linguísticos, subdivididos em 90 grupos menores espalhados pelo país. As línguas mais faladas são o umbundu, quimbundu e quicongo.
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Em Moçambique, independente em junho de 1975, 25% de seus 20 milhões de habitantes falam o Português, língua “operacional”. Existem ainda 8 línguas bantas subdivididas em mais de 40 variantes. Segundo Perpétua Gonçalves (Actas: 243-44), em um congresso realizado em 1962, procurou-se manter o Português: “dado o objetivo de garantir o nível científico de todo o povo de uma maneira rápida que não podia compadecer dos atrasos que traziam as línguas moçambicanas na terminologia técnico-científica”. Por conta deste “atraso”, permaneceram, nas antigas colônias, as línguas do colonizador.
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- Colônias portuguesas -
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Refletindo um pouco sobre a rota de expansão portuguesa - a partir do século XV, avançando sobre a África, América e Ásia - fico imaginando como deve ter sido doloroso, para os negros da região, cada embate gerado pelas diferenças etnico-culturais que a potencia europeia infligia sobre esses povos. Portugal avançava com todo o seu histórico bélico comandado por conquistadores bárbaros ávidos e genocidas. Buscavam subjugar populações inteiras atracando a margem de enseadas abnegadas e desnudas, baías paradisíacas, com toda a carga explosiva imperialista, presunção monárquica, vantagens mercantilistas e seminal cobiça capitalista.
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- caravana de escravos a caminho da costa -
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Armas de fogo contra setas, canhões contra zarabatanas, espadas contra adagas, que muito rapidamente foram se apropriando dos espaços e de suas riquezas, escravisando aldeias inteiras quando não as exterminando. Em seguida, concentrou força e ciencia nos aspectos étnico-culturais, no domínio linguístico para as negociações do pleito hegemônico. Soube mentir, iludir, enganar, sedimentar à discórdia - subjulgou por força da perversa e predatória implantação colonial.
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Só perdeu a língua portuguesa oficial. Erigida no espaço europeu com seu passado histórico recente - buscando consagrar-se, tão jovem na formação de sua identidade, em confronto com o outro penisular, o castelhano, onde se graduou - agora negocia sua integridade em terras distantes. Precisava se valer no espaço colonizado, impondo-se e expandindo em adequação para as trocas necessárias a esse convívio distante das origens, onde se rendiam os velhos significantes para as novas elaborações recém descobertas. Diante do novo, uma armada de “línguas” portuguesa ansiava por tomar a África.
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Semelhantes aos combates físicos, citaremos aqui duas construções simbólicas para o entendimento desse embate linguístico como se houvesse a língua natural portuguesa sendo cozida, diluindo no caldeirão antropofágico da história, passando das carnes cruas do lusismo ao caldo picante da lusofonia.
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O lusismo, segundo Laura Cavalcante Padilha, deve ser pensado como modo de “afirmação do próprio espaço português” sua construção identitária erigida no espaço europeu, ou segundo Antenor Nascentes “vocábulo, expressão, construção, próprios do português falado em Portugal”, ou ainda sinônimo de lusitanidade como descreve Houaiss: “caráter ou qualidade peculiar, individualizadora, do que é ou de quem é português”. O texto de Camões, Os Lusiadas (1575) é o maior exemplo de força do lusismo na afirmação distintiva do sujeito histórico cultural portugues diante dos vários outros novos em confronto. O lusismo representaria a arma de fogo, os canhões.
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- Nativo Guerrero Kenia. Foto García Robes -
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Para conhecer melhor esses tempos, voltemos ao relato de Camões que nos deixa impresso o testemunho das verdadeiras intenções portuguesas no novo continente: subjugar os nativos locais “selvagem mais que o bruto Polifemo”, e avançar como se aquelas terras não lhes pertencessem: “Estrangeiros na terra, lei e nação / (...) / A natura, sem lei e sem razão”.
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lusofonia viria “como consequência da expansão da língua e da cultura fora da territorialidade europeia”, segundo Padilha, adaptando-se ao novo espaço étnico-cultural onde se apresenta como força de afirmação simbólica “dado pela hegemonia das nações colonizadoras e pela língua igualmente hegemônica expandida pela ação colonizadora”.
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Segundo Aurélio, “comunidade formada por povos que habitualmente falam o português”. Ana Isabel Madeira descreve como “um traço no encadeamento das narrativas que articulam a história dos povos que utilizam a língua portuguesa”.
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O Brasil (América), Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe (África) e Timor Leste (Ásia), estiveram, em algum momento de suas histórias, em confronto com os portugueses e hoje utilizam a língua repatriada e redimensionada como instrumento de soberania e defesa.
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 * Datas aproximadas. As datas variam de acordo com o momento histórico. Algumas indicam quando a(s) ilha(s) foram avistadas pela primeira vez, outras, a data de sua administração inicial.
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CAMÕES, Luís Vaz de, (1972), Os Lusíadas, Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura;
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (1988), Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Nova Fronteira;
HOUAISS, Antônio (2001), Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva;
MADEIRA, Ana Isabel (2003), Sons e silêncio da lusofonia: Uma reflexão sobre os espaços-tempos da língua portuguesa. Lisboa, Educa;
NASCENTES, Antenor (1972), Dicionário Ilustrado da língua portuguesa, 6 vols, Rio de Janeiro: Bloch / Academia Brasileira de Letras;
PADILHA, Laura Cavalcante (dez/2005), Da construção identitária a uma trama de diferenças - Um olhar sobre as literaturas de língua portuguesa. Revista Crítica de Ciências Socias, n. 73, Coimbra, Portugal;
SANTILI, Maria Aparecida (2003), Paralelas e Tangentes, entre literaturas de língua portuguesa. Editora Arte e Ciência.
FERRONHA, António (1993), Atlas da Língua Portuguesa na História e no Mundo, Imprensa Nacional de Portugal. MI.
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Actas do Congresso sobre a Situação actual da Língua Portuguesa no Mundo 1985
http://dspace.bg.uc.pt/?q=node/22417
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Wikipedia
Infante D. Henrique
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Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos
http://www.aciml.org.mo/index.htm
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terça-feira, 17 de maio de 2011

Africanidades na formação da Bahia

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A África, com seus 53 países, tem cerca de 900 milhões de habitantes, sendo o segundo continente mais populoso do planeta. O primeiro, por muito tempo, continuará sendo a Ásia.
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Mapa da Fenícia e rotas de comércio (por volta de 600 a.c. - wikipedia)
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Segundo o professor Kabengele Munanga (2009), o topônimo “África” vem desde a antiguidade greco-romana denominando, inicialmente, um pequeno território ocupado pelos fenícios, (por volta do século VII a.c), que hoje corresponde a atual Líbia, ao norte da África.
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Província dos Afri (afer no singular) foi o nome dado a toda essa região costeira, por volta de 146 a.c, pelos romanos após destruírem Cartago. Cidade que era considerada a capital desse extenso território.
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Casa berbere em Matmata, Tunísia
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A enciclopédia livre – wikipedia, ainda nos informa que “a origem do termo afer talvez seja a palavra fenícia afar, que significa “pó, poeira” e que o nome ifri derivaria dessa origem berbere (grupo da família linguística afro-asiática com cerca de 25 línguas e mais de 300 dialetos), e que significaria “caverna” em referencia às grutas onde esses povos viviam. Os romanos teriam acrescentado o sufixo ca denotando o termo “país ou território” (ifri+ca).
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Duas outras etimologias, também sugeridas pela wikipédia, merecem destaque. A primeira se refere à palavra aprica, de origem latina e que significa “radiante, ensolarados”, mencionada por Isidoro de Sevilha no século VI, em etymologiae XIV; a segunda, phrike, palavra grega que significa “frio e horror” combinada com o prefixo privativo “um”, “indicando assim um terreno livre de frio e de horror”. Proposição feita pelo historiador Leo Africanus que viveu entre 1488 e 1554.
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Samburus Kenia (Foto García Robles)
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O continente africano abriga uma diversidade biológica, linguística e cultural (ou étnica) muito intensa e variada. Os limites geopolíticos de seus estados possuem numerosas sociedades com diferentes línguas (só na África do Sul temos 11 línguas oficiais; em Moçambique, 1 língua oficial, o português, e 13 não oficiais), crenças, instituições políticas e familiar bastante distintas. Uma grande unidade social, expressa por essa numerosa diversidade de individualidades culturais, destaca uma fisionomia própria para o continente africano.
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Ao norte, na orla do mediterrâneo, passaram líbios, semitas, fenícios, assírios e greco-romanos. Povos de pele clara, resultando encontros diversos que motivaram mestiçagens milenares marcando essas populações com traços próprios, diferente das características biológicas daqueles povos que habitam toda a região sul a partir das fronteiras do Deserto do Saara, o Sahel (que cobre toda uma linha horizontal entre o oceano Atlântico e o Mar Vermelho: desde o Cabo do Bojado, no Saara Ocidental, até o Cabo Guardafui, na Somália), ao Cabo da Boa Esperança, no extremo sul, denominada de África Subsaariana. Esta, predominantemente negra, abriga, em sua vastidão, um complexo biológico com numerosa variação de tons, tamanhos físicos e traços morfológicos bastante diferenciados.
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Essa similaridade cultural que se espalha por toda a região ao sul do Saara, garantindo ao conjunto de suas sociedades individuais o resultado da soma de características que lhes confere uma fisionomia própria, essencialmente africana, ficou conhecida como africanidade – como um selo da qualidade tradicional, particular, especialmente original do contexto africano.
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Seguindo indicações bibliográficas do professor Maurício Waldman, situaríamos no bojo dessas influências, as principais referências do universo religioso e cultural africano, fundamental para a compreensão dos nossos costumes, nossa brasilidade que teve enorme contribuição desses povos.
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Baobás, morada de deuses e espíritos
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As religiões tradicionais africanas encontram-se em conformidade e equilíbrio com o espaço ecológico, “relacionam-se diretamente com fatos sociais e com a exploração dos recursos naturais fundamentais (...) encontram expressão em marcas apropriadas diretamente da natureza, como é o caso dos Baobás, entendido como morada dos deuses e dos espíritos”, nos posiciona o antropólogo Maurício Waldman.
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Povo Massai (Foto García Robles)
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Uma lógica operante que aposta na coletividade, no compartilhamento para a preservação do solo e a vida em equilíbrio com a natureza. Na sua origem, antes da chegada do colonizador branco, a África zelou pela “permanência do modo tradicional de vida” (MW), sem a necessidade de exploração de excedentes, depredações injustificáveis a custa de grandes penalidades e extinções. Tempos em que, para a grande maioria dos africanos, o solo era considerado sagrado, um bem coletivo que pertencia a todos, tutelado sob as leis religiosas, regidas pelos espíritos ancestrais.
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Bons tempos, no aspecto solidariedade, quando o modo de vida era rigorosamente comunitário, de produção coletiva, suficiente, centrada no núcleo familiar. Entende-se família africana como um núcleo de agregados muito amplo, considerando mesmo os parentes distantes e aqueles adotados por diferentes motivos, e ainda aqueles justificados como herdeiros de um ancestral mítico comum.
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Comparando africanidade/baianidade, observamos na expressão de nossa unidade cultural, a soma de características de diferentes sociedades africanas e indígenas ainda conscientes dessa energia vital, essa força singular que está em todas as coisas consagradas em nossos costumes. Cada um contribuiu com suas individualidades, seus fenômenos particulares, seus sistemas de crenças, seus dialetos e línguas variadas, colorindo o nosso imaginário com suas artes naives, propondo novas significações e ressignificações para as reelaborações existenciais a partir de visões simples, sugestivas e, aparentemente, “ingênuas” de mundo.
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Para finalizar, cito um trecho do livro do nosso Prof Kabengele Munanga (citando Cheikh Anta Diop, no livro L'Unité culturelle de l'Afrique noire), no qual descreve uma africanidade que eu considero muito semelhante à nossa baianidade:
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Baía de Camamú - família baiana, nossa herança matriarcal
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"O berço meridional confinado ao continente africano é caracterizado pela família matriarcal, a criação do estado territorial em oposição à cidade-estado nórdica, a emancipação da mulher na vida doméstica, a xenofilia, o cosmopolitismo, uma espécie de coletivismo social, tendo como corolário a quietude, até a despreocupação com o dia seguinte; a solidariedade material de direito para cada indivíduo, que faz com que a miséria material ou moral não seja comum até hoje (...) No domínio da moral, existe um ideal de paz, de justiça, de bondade, um otimismo, que elimina toda noção de culpabilidade ou de pecado original nas criações religiosas e metafóricas."
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...isso me lembra muito a maresia do caboclo de Carnaíba; o sol lambendo multidões na praia durante os sucessivos dias de semana; os amigos reunidos a bater a laje no domingo; o dengo vocálico do formoso muleque de Itacaré; da beleza imponente presente na negra filha de yansã comandando as batidas no ritmo do afoxé; do feijão de maínha de oxum reunindo toda família - e os agregados também são bem vindos - domingo que vem.
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Bibliografia:
MUNANGA, kabengele. Origens africanas do Brasil contemporâneo. Global editora, SP 2009;
WALDMAN, Maurício. A África tradicional. Projeto Sigma, Editora Didática Suplegraf, 1997
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Wikipedia - a enciclopédia livre. Acessos:
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domingo, 8 de maio de 2011

A telefonia móvel no continente africano.

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Em Uganda, assim como em vários países africanos, a telefonia móvel chegou suprindo a falta de  telefonia fixa. O celular chega como a primeira tecnologia de telefonia disponível para boa parte da população subsaariana.
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Veja a reportagem completa:
http://blog.institutoinovacao.com.br/2008/05/23/here-comes-the-sun/
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entre cantos e chibatas – conversa com Lilia Schwarcz

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A convite do blog do ims, a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz analisou uma série de imagens que retratam o negro na sociedade brasileira e pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles.
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São fotos sobretudo do século 19, reveladoras de contradições de um período em que o Brasil teve fotógrafos de objetivos distintos, que vão da criação de uma imagem apaziguadora da escravidão ao levantamento amplo das diferentes funções dos escravos até a Abolição.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

A marcha dos primeiros africanos para o Brasil.

Mãe África
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Segundo o resultado de recentes e apaixonantes pesquisas arqueológicas, possivelmente evoluímos de um ancestral comum aos símios, mesma estrutura anatômica básica e genética similar - talvez assim como um ramapithecus - algo entre pequenos macacos e futuros hominídeos que viveram em diferentes regiões da Europa, Ásia e África. Isso a cerca de dez (longos) milhões de anos atrás.
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ramapithecus
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Na busca pelo elo perdido, por muito tempo acreditou-se que o ramapithecus poderia ser o ancestral direto do homem. Hoje, cientistas acreditam que ele deve ter sido um distante ancestral dos orangotangos.
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Esse provável Elo Perdido, num processo natural que exigiu pequenas adaptações físicas ao apelo das diferentes geografias conquistadas, foi aos poucos se afastando de florestas congestionadas em busca de abrigo em cavernas, alimento nas savanas, lentamente adaptando-se às novas formas. Tudo isso em alguns poucos milhões de anos.
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Originado na África, esse processo adaptativo e evolutivo percorreu uma estrada em contínuos rodeios, alcançando mudanças significativas até um certo momento, quando o tronco principal teria se diversificado, cerca de seis milhões de anos após o surgimento dos primeiros hominídeos (quatro milhões de anos atrás), quando símios e seres humanos seguiram caminhos evolutivos diferentes.
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australopithecus
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A partir de 1924, pegadas e fósseis dos primeiros australopithecus ou símios meridionais, foram encontrados de sul a norte no lado oriental africano, como que seguindo uma trilha aos pés de uma cordilheira de montanhas, imersos num grande vale.
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Sítios onde foram encontrados fósseis dos primeiros australopithecus
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Encontramos vestígios fósseis desde a região do Transvaal, África do Sul, denominando essa espécie que ficou conhecida como “macaco do sul” (australopithecus); mas acima, passando pela Garganta de Olduvai – fósseis, além de pegadas fossilizadas em cinzas vulcânicas (dois adultos e uma cria), em Laetoli, ao norte da Tanzânia; em Lothagam, Koobi Fora e Omo, sítios no entorno do lago Turkana, no vizinho Quênia; na região do deserto do Afar, Etiópia, onde foi encontrado o fóssil mais antigo, a filha de Lucy (um bebê australopiteco, bípede e que trepava em árvores, morto há 3,3 milhões de anos); e finalmente no Chade (nas praias ao sul do deserto do Saara).
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homo habilis
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Em 1972, também no Quênia, em Koobi Fora, foi descoberto um fóssil com características mais modernas, mas que datavam do mesmo período dos australopithecus: o homo habilis.
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Ordenando nossa cronologia, temos:
(em milhões de anos)
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10 milhões: Patriarca comum... (algo como um ramapithecus)
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6 milhões: Diversificação do tronco principal caracterizadas por mudanças significativas causadas por alterações climáticas ou mudanças ambientais que resultaram em algumas subespécies variadas.
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3,5 milhões: Apresentam-se, com certa distinção, algumas espécies com características simiescas, os australopithecus (primeiros hominídeos bípedes).
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Lucy Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México
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O australopithecus, do gênero australopithecus, da família hominidae, da ordem primates, é a mais antiga prova do bipedalismo. Ossos fossilizados de um australopithecus - do gênero feminino, que ficou conhecida como Lucy - foi encontrado na Etiópia, em 1974, por uma equipe de arqueólogos comandada pelo professor Donald Johanson.
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2 milhões: Surge, um pouco mais tarde, outros, com feições mais humanas: o homo habilis.
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homo habilis, esse bonitinho tem 1,5 de altura
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O homo habilis, do gênero homo, da família hominidae, da ordem primates, também foi encontrado em Olduvai, Tanzânia e em Koobi Fora, no Quênia (estes os mais antigos, cerca de 2 milhões de anos atrás). As primeiras descobertas aconteceram na Suazilândia, em 1964 (um pequeno país fronteiriço à África do Sul), pelo paleontropólogo Louis Leakey e sua equipe. Recentemente foi encontrada uma ossada fossilizada quase completa nas grutas Sterkfontein, Africa do Sul. O homo habilis possui um crânio mais arredondado, um cérebro maior e boca com maxilares menos proeminente.
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1,5 mil: Surge o homo erectus.
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homo erectus
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Nos últimos dois milhões de anos, os australopithecus desaparecem em composições com seus semelhantes ou foram extintos. Enquanto um "provável" descendente/primo do homo habilis, o homo erectus (coexistiram por mais de 500 mil anos), melhor adaptado, começa sua marcha em direção a Ásia e a Europa e se espalha pelo mundo em contínua transformação e adaptação.
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homo sapiens encontrado na Ethiopia - Foto (c) 2001 David L. Brill
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Segundo o professor Jaime Pinsky (1988), mudanças significativas como o arredondamento da cabeça, redução dos arcos superciliares e diminuição dos maxilares ocorrem nesse último milhão de anos, o que resulta no surgimento de um novo hominídeo: o homo sapiens. Evidências de DNA mitocondrial indicam sua origem na África oriental há cerca de duzentos mil anos. O homo sapiens ainda teria propiciado outros descendentes que não vingaram, a exemplo do famoso e assustador homem de neanderthal. Aqueles, com características mais próximas a nós, foram se definindo ao longo dos últimos 50 mil anos, dando feições a um novo homem, o moderno homem: o homo sapiens sapiens. Igual a você, a mim... sapientadissíssimos.
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Retomando nosso cronograma, temos:
1,5 mil: homo erectus. Começa a marcha do homem pelo mundo;
200 mil anos: homo sapiens, já na África, Europa e Ásia;
50 mil anos: homo sapiens sapiens.
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...e para completar a jornada:
31.500 anos: vestígios de presença humana no Piauí, aqui no Brasil.
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Mapa das primeiras migrações humanas, de acordo com análises efectuadas ao DNA mitocondrial (unidades: milênios até ao presente).
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A perspectiva deste planisfério centra-se no pólo norte, para facilitar a compreensão das rotas das migrações Fonte: Wikipedia
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O que motivou o êxodo do homem pelo mundo? Busca de alimento, curiosidade, espírito de aventura, condições climáticas ou ambientais... Não sabemos. Talvez um pouco de tudo isso. Mas é certo que a anatomia do homo erectus possibilitou transportar consigo água, alimentos, provavelmente o fogo e alguns rudimentares instrumentos de defesa e caça que o tornou relativamente independente.
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O Beijo: pintura rupestre em São Raimundo Nonato
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Esse homo andou muito. Segundo o prof Pinsky, na gruta do Boqueirão, em São Raimundo Nonato, no Piauí, a 520 km de Teresina, divisa norte com o estado da Bahia, foram encontradas pedras de carvão datadas de 31.500 anos. Um possível vestígios da presença humana mais antiga das Américas. Na época da colonização, quando os jesuítas ali chegaram, a região era habitada por silvícolas da tribo dos Tapuias.
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Essas grutas testemunham o nosso legado africano, que começou não com a depredação, o saque, a violência efetiva, a extrema barbaridade dos povos colonizadores europeus, mas muito antes, longe de tudo isso. Essencialmente fruto de uma vontade de querer agir, caminhar, comparar, avaliar, decidir sobre o que a inteligência nos ordenava em épocas muito remotas. Penso que muito pode ser atribuido a uma força de vontade voluntária, livre, determinante para essa conquista.
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Esse esforço que nos trouxe até aqui, vencendo todos os obstáculos inimagináveis ao longo de milhares de anos, merece uma análise mais profunda no sentido de que nos foi estabelecido um pertencimento de mundo original, mais que os limites territoriais de nossas pequenas propriedades privadas, acumulativas – mas um mundo transterritorial, espaço essencial para o resgate de nossa humanidade, coletiva, plural, tudo de bom para todos como uma nova forma de procedermos planetariamente. Um grande povo - fruto de uma mesma origem.
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Bibliografia:
Pinsky, Jaime. As primeiras civilizações. 2 ed. São Paulo 1988. Atual Editora.
Parker, Geoffrey. Atlas of Words History. 4 ed. 1993. British Library Cataloguimg in Publication Data "Times".
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